Uma mulher de aproximadamente 30 anos foi encaminhada à promotoria na Coreia do Sul após ser investigada por supostamente utilizar um programa automatizado para adquirir ingressos de apresentações musicais e revendê-los por valores superiores aos preços originais. Entre os eventos envolvidos está a apresentação do BTS realizada na Praça Gwanghwamun, em Seul. Segundo a Agência de Polícia Metropolitana de Seul, a suspeita teria utilizado contas cadastradas em nomes de familiares e pessoas conhecidas para contornar o sistema de compra e garantir entradas antes que outros consumidores conseguissem adquiri-las. O caso veio à tona durante o monitoramento realizado pelas autoridades no período de venda de ingressos para o evento do grupo sul-coreano e acabou levando à identificação de uma operação de revenda que, de acordo com a investigação, teria movimentado milhares de ingressos ao longo de quase dois anos.
A investigação aponta que a mulher teria recorrido a um chamado programa de macro, capaz de automatizar determinadas etapas do processo de compra e aumentar significativamente a velocidade das reservas. A polícia afirma que, entre abril de 2023 e março de 2026, aproximadamente 2.600 ingressos para diferentes shows teriam sido adquiridos dessa maneira e posteriormente oferecidos a outras pessoas por preços mais elevados. A estratégia teria utilizado diversas contas vinculadas a familiares e conhecidos da investigada, permitindo que ela ampliasse a quantidade de ingressos obtidos. No caso específico da apresentação do BTS em Gwanghwamun, nove entradas teriam sido compradas por meio do mesmo método. Segundo as autoridades, entretanto, esses ingressos não chegaram a ser revendidos porque a investigação policial identificou a prática antes que a negociação fosse concluída.
A mulher foi enviada à promotoria sem permanecer detida preventivamente, e as acusações apresentadas contra ela incluem suspeitas de obstrução de atividades comerciais e violações previstas na legislação sul-coreana relacionada ao uso de redes de informação e comunicação e à realização de apresentações públicas. A identidade da investigada não foi divulgada pelas autoridades. Além do processo criminal, a polícia solicitou uma medida judicial para preservar e impedir a movimentação de aproximadamente 442 milhões de won, valor equivalente a cerca de US$ 320 mil, que seria relacionado aos ganhos obtidos com as atividades investigadas. A iniciativa tem como objetivo evitar que os recursos apontados como provenientes da revenda ilegal sejam ocultados ou transferidos enquanto o caso segue para análise do Ministério Público e da Justiça.
O episódio envolvendo os ingressos do BTS também acontece em meio ao endurecimento das medidas adotadas pelas autoridades sul-coreanas contra o chamado cambismo digital. A legislação do país passou por alterações destinadas a dificultar a atuação de pessoas que utilizam ferramentas automatizadas para comprar grandes quantidades de ingressos e depois comercializá-los com ágio. As novas regras ampliam as possibilidades de punição para quem participa desse tipo de operação e estabelecem multas que podem chegar a até 50 vezes o valor envolvido na venda irregular, aumentando de maneira significativa o risco financeiro para os responsáveis pela prática. A mudança acompanha uma preocupação crescente no país com sistemas automatizados que conseguem adquirir entradas em poucos segundos, prejudicando consumidores que tentam participar das vendas pelos canais oficiais.
A apresentação do BTS na Praça Gwanghwamun foi um dos eventos que recebeu atenção especial das autoridades durante o processo de comercialização dos ingressos. A grande procura pelo grupo fez com que o sistema de vendas se tornasse um alvo importante para o monitoramento de possíveis tentativas de compra irregular, e foi nesse contexto que os investigadores chegaram à suspeita. De acordo com a polícia, o acompanhamento permitiu identificar o uso de contas de terceiros e posteriormente relacionar as reservas realizadas para o evento a uma atividade mais ampla de aquisição e revenda de entradas. A descoberta dos nove ingressos destinados ao show acabou servindo como parte das evidências reunidas no caso, embora a investigação indique que a atuação da suspeita não estaria limitada a apresentações do BTS.
As autoridades afirmaram que pretendem intensificar a fiscalização sobre operações desse tipo, especialmente diante da entrada em vigor das novas disposições legais. Para os investigadores, o combate à revenda automatizada é necessário para proteger o funcionamento dos sistemas oficiais de venda e evitar que fãs sejam obrigados a pagar valores muito acima do preço original para conseguir acesso a apresentações concorridas. O caso agora seguirá para a promotoria, que deverá avaliar as provas reunidas pela polícia e decidir os próximos passos do processo. Enquanto isso, a investigação se torna mais um exemplo da pressão exercida na Coreia do Sul contra grupos e indivíduos que transformam a alta demanda por ingressos de grandes artistas em uma atividade comercial baseada em ferramentas automatizadas e revenda por valores inflacionados.
Imagem: Reprodução/X (@bts_bighit)













