De volta após quase quatro anos de pausa, o BTS retoma suas atividades com o álbum ARIRANG em um momento marcado tanto por celebração quanto por incertezas. Em entrevista à Rolling Stone, o grupo falou abertamente sobre o retorno após o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul e sobre como a pausa alterou a forma como enxergam a própria carreira.
RM afirmou que o reencontro não trouxe respostas claras sobre o futuro do grupo. Segundo ele, havia uma expectativa de que o hiato organizasse as ideias e definisse um caminho natural, mas o processo foi o oposto: mais confuso, mais aberto e menos linear. Em vez de esconder essa indefinição, o BTS incorporou esse estado ao próprio trabalho.
O álbum ARIRANG nasce justamente dessa fase de transição. A proposta mistura referências do início da carreira, fortemente ligadas ao hip hop, com novas abordagens sonoras desenvolvidas ao longo dos projetos solo de cada integrante. O resultado não busca uma definição final do BTS, mas um retrato de um momento em que tudo ainda está em movimento.
As falas individuais reforçam esse cenário. J-Hope comentou que, ao longo dos anos, chegou a questionar se o peso da fama ainda fazia sentido. Jimin destacou que, apesar do crescimento individual de cada integrante, o grupo segue sendo prioridade. Suga afirmou de forma direta que nunca teve dúvidas sobre o retorno do BTS como formação completa. Já RM descreveu o período no serviço militar como um momento de isolamento e reflexão intensa sobre sua relação com a música.
Jung Kook disse que o desejo de voltar aos palcos esteve presente durante todo o afastamento, enquanto Jin resumiu a experiência de forma simples: sentiu falta do grupo.
A construção de ARIRANG também reflete essa nova dinâmica. O processo foi mais colaborativo e menos hierárquico do que em fases anteriores, com maior participação dos integrantes em todas as etapas criativas. Sessões com produtores internacionais se misturaram a decisões tomadas diretamente pelo grupo, que buscou equilibrar experimentação e identidade.
Nesse equilíbrio, a decisão de reforçar o uso do coreano nas faixas aparece como um elemento simbólico. Após anos de expansão global com músicas em inglês, o grupo opta por recentralizar parte de sua identidade linguística e sonora, sem abrir mão do alcance internacional.
É nesse contexto que a faixa “2.0” se destaca. A música carrega um tom mais confiante e pode ser interpretada como uma resposta ao ambiente competitivo do pop global. Na entrevista, o cenário da indústria é discutido a partir de referências como Taylor Swift, Bruno Mars e Harry Styles, usadas como comparação para situar o espaço ocupado pelo grupo hoje. Ainda assim, ao comentar essas comparações, RM recua e afirma: “Eles são artistas maiores do que nós. Nós somos pequenos — apenas uma boy band da Coreia”. A fala cria um contraste evidente com a dimensão global já alcançada pelo BTS e evidencia como o grupo ainda é frequentemente enquadrado a partir de uma leitura externa da indústria ocidental.
Essa tensão entre o que o BTS representa na prática e como é percebido externamente atravessa a entrevista. O grupo ocupa um espaço massivo na indústria global, mas ainda lida com diferentes formas de enquadramento e reconhecimento dentro das estruturas do pop internacional.
Mesmo assim, o grupo também menciona o interesse em explorar grandes palcos globais no futuro, como o show do intervalo do Super Bowl. A referência surge como possibilidade dentro de uma conversa mais ampla sobre alcance internacional e novas oportunidades.
Enquanto isso, o BTS já iniciou a turnê mundial BTS WORLD TOUR ‘ARIRANG’, que vem registrando forte demanda ao redor do mundo. No Brasil, os shows no Estádio do MorumBIS tiveram ingressos esgotados rapidamente, reforçando a força do grupo mesmo após anos de pausa.
Entre dúvidas, reinvenção e ambição global, o BTS retorna sem oferecer respostas definitivas mas deixando claro que a próxima fase não será uma repetição do passado.
Imagem: Reprodução/X (@RollingStone)













