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Ha Young quebra o silêncio após polêmica sobre passado de seu bisavô

A atriz sul-coreana Ha Young decidiu se manifestar publicamente depois que informações sobre a atuação de seu bisavô durante o período de domínio japonês na Coreia passaram a repercutir entre internautas. O episódio ganhou força após uma aparição da artista em um programa de televisão, na qual ela comentou a trajetória de sua família na medicina.

A discussão envolve Ahn Sang-ho, bisavô materno de Ha Young. Documentos históricos localizados após a entrevista indicam que o nome do médico aparece entre os integrantes de uma organização criada durante o período colonial japonês.

A descoberta provocou questionamentos sobre a forma como a história familiar havia sido apresentada pela atriz. Em meio à repercussão, a agência Bistus Entertainment reconheceu que havia se manifestado inicialmente sem realizar uma apuração completa sobre as informações.

Como a controvérsia começou?

O assunto veio à tona depois que Ha Young participou de um programa da KBS, no início de agosto. Durante a conversa, a atriz falou sobre o legado médico de sua família e contou que seu bisavô havia estudado medicina no Japão.

Segundo o relato apresentado no programa, Ahn Sang-ho teria sido o primeiro coreano a receber uma licença médica japonesa, além de ter mantido uma clínica em Seul. Ha Young também mencionou que ele teria atendido o então imperador Gojong.

Após a exibição, internautas passaram a pesquisar a trajetória do médico e encontraram registros relacionados à sua atuação durante a ocupação japonesa, que se estendeu de 1910 a 1945.

Entre os documentos citados na repercussão está um registro de 1916 que coloca Ahn Sang-ho entre os conselheiros da Associação de Amizade de Daejeong. A organização era ligada a empresários e figuras que colaboravam com as autoridades japonesas na Coreia.

Também vieram à tona registros de publicações da época que descreviam aspectos da assimilação da família de Ahn à cultura japonesa. Essas informações fizeram com que a declaração inicial da atriz sobre seu antepassado fosse reavaliada pelo público.

Agência volta atrás após nova apuração

Com a repercussão do caso, a Bistus Entertainment inicialmente afirmou que as acusações contra o antepassado da artista não tinham fundamento. Posteriormente, entretanto, a própria empresa informou ter realizado uma nova verificação.

A apuração confirmou que o nome de Ahn Sang-ho aparece no documento histórico de 1916 mencionado nas acusações. Diante disso, a agência reconheceu que sua primeira resposta foi precipitada e pediu desculpas por ter descartado as alegações antes de uma investigação mais detalhada.

A empresa também afirmou que Ha Young lamentava a situação e que passaria a adotar uma postura mais cuidadosa ao abordar acontecimentos históricos e informações relacionadas à própria família.

Atriz publica carta nas redes sociais

Além do comunicado divulgado por sua agência, Ha Young publicou uma mensagem direcionada aos fãs e ao público.

Na carta, a atriz afirmou ter analisado documentos relacionados ao passado de seu bisavô e reconheceu que desconhecia parte das informações sobre sua atuação durante o período colonial.

Ha Young também admitiu que foi um erro apresentar determinados episódios da trajetória familiar sem conhecer profundamente o contexto histórico em que eles ocorreram. Ela destacou que a falta de conhecimento não deveria ser usada para minimizar um período considerado doloroso na história da Coreia.

A artista ainda lamentou que a primeira posição divulgada por sua agência tenha contribuído para aumentar a confusão em torno do caso. Segundo ela, a situação exigiu cuidado para encontrar uma maneira adequada de se desculpar publicamente.

Em outro trecho da declaração, Ha Young afirmou que pretende estudar tanto a história de sua família quanto o período colonial japonês com maior profundidade. A atriz também disse que deseja demonstrar, por meio de suas atitudes futuras, respeito às pessoas que participaram da luta pela independência da Coreia.

Por que o assunto é tão sensível na Coreia?

A repercussão está diretamente ligada à memória do período colonial japonês. Entre 1910 e 1945, a Coreia esteve sob domínio do Japão e enfrentou políticas de repressão, exploração e assimilação cultural.

Até hoje, a colaboração de figuras coreanas com as autoridades coloniais é um tema delicado no país. Por isso, registros que relacionam personalidades históricas a organizações ou atividades pró-japonesas costumam provocar fortes debates na sociedade sul-coreana.

No caso de Ha Young, a controvérsia ganhou uma dimensão ainda maior porque as informações foram discutidas publicamente pela própria atriz ao falar sobre o legado de sua família.

Após o episódio, a artista reforçou que pretende ter mais cautela ao tratar de acontecimentos históricos e encerrou sua manifestação reiterando o pedido de desculpas às pessoas que se sentiram afetadas pela situação.

Imagem: Reprodução/@havv_y (Instagram)

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