Entre os feriados mais importantes da Coreia do Sul, o Chuseok ocupa um lugar de destaque. A celebração, que ocorre de 6 a 8 de outubro em 2025, é um momento dedicado à gratidão, à colheita e à convivência familiar. Conhecido também como Hangawi, o feriado marca o ápice do outono no calendário lunar e é comparado, muitas vezes, ao Dia de Ação de Graças no Ocidente.
Durante séculos, a Coreia manteve uma forte conexão com a agricultura, e o ritmo da vida rural era guiado pelas fases da lua. Por isso, o Chuseok — celebrado no 15º dia do oitavo mês lunar — nasceu como uma homenagem à lua cheia de outono, símbolo de fartura e prosperidade. O nome “Chuseok” significa literalmente “noite do outono”, refletindo a ideia de uma época em que a natureza retribui o trabalho do ano inteiro com colheitas abundantes.
A origem do feriado remonta a mais de dois mil anos, no período dos Três Reinos da Coreia — Goguryeo, Baekje e Silla. Registros históricos indicam que o costume surgiu durante o reinado de Yuri de Silla, quando mulheres participavam de uma competição de tecelagem chamada Gabae. Ao final da disputa, era realizada uma grande festa, com música, danças e comidas preparadas com ingredientes recém-colhidos. Essa tradição evoluiu com o tempo e se tornou o festival de gratidão que conhecemos hoje.
Mesmo em períodos turbulentos, como a ocupação japonesa entre 1910 e 1945, quando várias manifestações culturais foram reprimidas, o Chuseok sobreviveu. Com o fim da dominação estrangeira, as tradições voltaram a florescer, reafirmando o valor da memória e da ancestralidade para o povo coreano.
Atualmente, o feriado é celebrado por três dias e começa com o retorno das famílias às suas cidades natais. As estradas e estações de trem se enchem de pessoas levando presentes e alimentos para compartilhar. A manhã do primeiro dia é marcada pelo Charye, um ritual em que os coreanos, vestidos com hanbok (trajes tradicionais), preparam uma mesa cerimonial para homenagear seus antepassados. Cada alimento é colocado em posição específica — arroz e sopa ao norte, frutas e vegetais ao sul, carne ao leste e bolinhos de arroz ao oeste — como forma de respeito e equilíbrio.
Outro costume importante é o Seongmyo, visita aos túmulos familiares, onde se realiza o Beolcho, a limpeza das lápides e arredores. O gesto simboliza cuidado, reverência e renovação.

Após as homenagens, as famílias compartilham uma grande refeição, com destaque para o songpyeon, um bolinho de arroz em formato de meia-lua, cozido no vapor com agulhas de pinheiro. O aroma do pinheiro simboliza pureza, e acredita-se que preparar o songpyeon com carinho traz sorte e prosperidade. Tradicionalmente, as mulheres da família são as responsáveis por fazê-lo.

Entre os pratos típicos também estão o jeon, uma panqueca frita feita com legumes, peixes ou carne, e o tteokguk, uma sopa de bolinho de arroz. Além da comida, o espírito festivo toma conta das ruas, com apresentações de danças folclóricas e esportes tradicionais, como o ssireum, uma luta coreana semelhante ao sumô.
Um dos momentos mais marcantes do Chuseok é a dança ganggangsullae, na qual mulheres dão as mãos e formam um círculo sob a luz da lua cheia. A coreografia, originária da província de Jeolla do Sul, tem mais de cinco mil anos e representa união, fertilidade e alegria. Durante o século XVI, a dança chegou a ser usada como tática de guerra, quando mulheres vestidas com uniformes militares se moviam em círculos para enganar tropas invasoras japonesas, dando a impressão de que havia um exército numeroso no local.
Com o passar do tempo, o Chuseok também ganhou novos hábitos. Desde a década de 1960, tornou-se comum trocar presentes entre familiares, colegas e vizinhos — antes, eram produtos essenciais como sabão, açúcar e óleo; hoje, vão de doces e cosméticos a eletrônicos e cestas de frutas. Apesar das transformações, o significado central permanece: celebrar a gratidão, o vínculo familiar e o ciclo da vida.
O Chuseok é um lembrete da importância da memória, da colheita e do reencontro. Em meio à modernidade, a Coreia do Sul segue preservando essa tradição milenar, unindo passado e presente sob a luz da lua cheia.
Imagem: Reprodução/Canva













