O Tribunal Distrital Central de Seul decidiu, nesta quinta-feira (30), que o grupo feminino NewJeans deve cumprir integralmente seu contrato exclusivo com a gravadora ADOR até 2029. A sentença rejeitou a tentativa das integrantes de encerrar antecipadamente o acordo e confirmou a validade jurídica do contrato, encerrando a primeira instância de um dos processos mais acompanhados da indústria do K-pop.
A decisão foi proferida cerca de 11 meses após o início do impasse entre as partes. Em novembro do ano passado, as cinco integrantes — Minji, Hanni, Danielle, Haerin e Hyein — anunciaram que consideravam o contrato rescindido, alegando quebra de confiança e violação de obrigações por parte da agência. A disputa levou a ADOR a entrar com uma ação judicial em dezembro de 2024 para confirmar a validade do contrato e impedir que o grupo seguisse com atividades independentes.
O tribunal, porém, rejeitou os argumentos apresentados pelas artistas. Segundo a sentença, não há evidências de que a demissão da ex-CEO Min Hee Jin — figura central na formação e no conceito artístico do NewJeans — tenha comprometido a capacidade da ADOR de administrar o grupo. A corte destacou que a remoção de Min do cargo não gerou um “vácuo de gestão” nem impediu que ela continuasse contribuindo como produtora ou diretora externa.
“A demissão da ex-CEO Min Hee Jin, por si só, não indica que houve falha administrativa na gestão do NewJeans, nem que a ADOR não tenha planos ou condições de exercer suas funções”, afirmou o juiz responsável pelo caso.
O tribunal também considerou que o vínculo de confiança entre as artistas e a gravadora, embora abalado, não foi rompido a ponto de justificar uma rescisão contratual. Dessa forma, concluiu que o contrato original, com validade até 2029, permanece em vigor.
Entenda o conflito
O desacordo entre o NewJeans e a ADOR começou quando as integrantes solicitaram o retorno de Min Hee Jin ao comando da empresa — pedido que foi negado pela gravadora e por sua controladora, a HYBE. Em resposta, o grupo anunciou planos de seguir carreira independente e chegou a criar novas redes sociais, adotando o nome NJZ para suas atividades fora da ADOR.
A empresa, por sua vez, ingressou com uma ação principal e também com um pedido de liminar para impedir a atuação independente do grupo até a decisão final. As tentativas das integrantes de derrubar a liminar foram rejeitadas, reforçando a posição da ADOR como agência responsável.
Declarações após o veredito
Após a divulgação da decisão, o escritório Shin & Kim LLC, representante legal das integrantes, informou que o grupo irá recorrer. “As membros respeitam o julgamento do tribunal, mas acreditam ser impossível retornar à ADOR e continuar suas atividades normalmente em um cenário de total colapso da relação de confiança”, declarou a defesa.
Os advogados afirmaram ainda que esperam uma nova análise detalhada do caso em instância superior, levando em conta os princípios legais sobre a rescisão de contratos exclusivos.
A ADOR também se manifestou, agradecendo ao tribunal e reafirmando que cumpriu todas as suas obrigações como agência de gestão. A empresa destacou que o tribunal, ao longo de quase um ano, manteve decisões consistentes em favor da sua posição e declarou que já finalizou os preparativos para o retorno do grupo às atividades.
“Esperamos que este resultado, obtido após uma longa análise dos fatos e alegações, ajude as artistas a refletirem com calma sobre a situação”, disse a ADOR em comunicado. “Nosso estúdio concluiu os preparativos para um novo álbum e estamos prontos para o retorno do NewJeans aos palcos, em diálogo com as integrantes.”
Imagem: Divulgação/ADOR













