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Presidente da Coreia do Sul determina ações contra protestos anti-China em Seul

O presidente Lee Jae Myung determinou nesta quinta-feira (2), que os ministérios competentes adotem medidas rigorosas contra manifestações anti-China realizadas em Seul. O chefe de Estado afirmou que os protestos, marcados por discursos de ódio e atitudes consideradas racistas, estão prejudicando a imagem internacional do país.

De acordo com Lee, as manifestações representam “atos autodestrutivos que ferem o interesse nacional e mancham a dignidade do país”. Durante reunião com assessores, ele acrescentou que a Coreia do Sul, atualmente reconhecida mundialmente como potência cultural, não pode “fechar os olhos para atitudes incivilizadas que comprometem a reputação nacional”.

O presidente também destacou que discursos de ódio afastam visitantes estrangeiros. “Nenhum cidadão estrangeiro gostaria de viajar ou fazer compras em um país onde é alvo de hostilidade sem fundamento”, disse.

Contexto das manifestações

De acordo com autoridades locais, os protestos, organizados principalmente por grupos de extrema direita, têm se intensificado desde a adoção da política de entrada sem visto para turistas chineses em grupos, anunciada nesta semana. Em diferentes pontos de Seul, como Myeong-dong, Daerim-dong e Hongdae — regiões frequentadas por turistas chineses — manifestantes chegaram a exibir faixas com frases como “China Out” e a queimar bandeiras do país com a imagem do presidente Xi Jinping.

Segundo a diplomacia sul-coreana, há preocupação de que a escalada das tensões possa afetar a reunião de líderes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), que ocorrerá em Gyeongju nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, com a presença prevista do presidente chinês.

Diplomacia em alerta

O Ministério das Relações Exteriores informou que está monitorando a situação em cooperação com outros órgãos, incluindo a Agência Nacional de Polícia e o Ministério do Interior e Segurança. Segundo um porta-voz da pasta, as autoridades estão revisando medidas legais para prevenir incidentes violentos ou ilegais durante as manifestações.

Ainda de acordo com a chancelaria, existe diálogo constante com representantes chineses para evitar que os protestos comprometam as relações bilaterais. O ministro das Relações Exteriores, Cho Hyun, em entrevista à agência Yonhap, reforçou que as mobilizações anti-China representam um risco imediato para a realização da cúpula da APEC e exigem preparação interinstitucional.

Relações bilaterais em foco

Autoridades chinesas já haviam manifestado preocupação anteriormente. Em julho, a embaixada da China em Seul enviou uma carta oficial pedindo reforço na segurança de sua sede. O pedido resultou no aumento da presença policial no local. Além disso, em setembro, a embaixada emitiu um aviso de segurança orientando turistas chineses a “manter alta vigilância e evitar reuniões políticas locais”.

A imprensa estatal chinesa também repercutiu o tema. Em editorial, o jornal Global Times alertou que os protestos anti-China prejudicam o ambiente das relações bilaterais e afetam negativamente a própria imagem da Coreia do Sul no cenário internacional.

Xi Jinping não visita a Coreia do Sul há mais de dez anos. Caso sua participação na APEC se confirme, o encontro poderá marcar um passo importante para a normalização das relações entre os dois países, que nos últimos anos enfrentaram momentos de desgaste, em especial pela percepção de Pequim de que Seul estaria se alinhando excessivamente aos Estados Unidos.

Imagens: Reprodução/Yonhap e Korea Times/Choi Ju-yeon

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