Durante a audiência parlamentar anual sobre assuntos públicos, o Parlamento da Coreia do Sul voltou suas atenções para o caos causado por multidões de fãs de K-pop nos aeroportos. Investigações revelaram que informações sobre voos de celebridades estão sendo vendidas ilegalmente por apenas ₩1.000 (aproximadamente US$ 0,70), situação que coloca em risco tanto os artistas quanto passageiros comuns. Historicamente, esse tipo de dado já foi vendido por valores muito mais altos, e a redução do preço contribuiu para o aumento do comércio ilegal.
O deputado Jeon Yong-gi, do Partido Democrático, destacou que o comércio de dados ainda é ativo e lembrou casos anteriores, como em 2017, quando funcionários de companhias aéreas vazaram informações de integrantes do BTS, resultando em processos judiciais e punições.
Parlamentares também apontaram, os fãs que ocupam áreas inteiras do aeroporto com cadeiras e placas de “lugar reservado”, garantindo posições privilegiadas durante chegadas e partidas de artistas. Algumas fotos tiradas nesses locais chegam a ser vendidas ilegalmente, expondo falhas de controle e gestão de multidões. Relatórios recentes indicam que os aeroportos têm se tornado, de certa forma, palcos promocionais para celebridades, aumentando a superlotação e gerando transtornos para passageiros comuns.
O presidente da Corporação do Aeroporto Internacional de Incheon (IIAC), Lee Hak-jae, classificou a situação como “totalmente inaceitável”, afirmando que os vazamentos parecem ocorrer diretamente das companhias aéreas e prometendo investigar o caso em conjunto com polícia e advogados.
Além disso, o Parlamento destacou falhas nos planos de uso de aeroporto, documentos exigidos para organizar a chegada de artistas e equipes. Entre janeiro e agosto de 2024, apenas quatro das nove partidas no aeroporto de Gimpo tinham planos devidamente submetidos; em Incheon, 446 dos 566 planos estavam incompletos, dificultando rastreamento e proteção das celebridades. Esses números mostram que quase 80% dos planos em Incheon não continham informações suficientes, evidenciando uma falha estrutural na gestão do fluxo de artistas dentro do terminal.
O fluxo descontrolado de fãs nos aeroportos, aliado à venda ilegal de informações de voo e à falta de planos adequados, mostra que é urgente implementar protocolos mais rigorosos e fiscalização efetiva. Parlamentares defendem que, para conciliar o entusiasmo dos fãs com a proteção de passageiros e artistas, medidas estruturais e legais precisas sejam aplicadas, transformando aeroportos em ambientes seguros e organizados, sem comprometer a experiência do público.
Imagem: Reprodução/ Newsis












