O Ministério do Emprego e do Trabalho da Coreia do Sul iniciou uma inspeção especial na rede de padarias London Bagel Museum, após a morte de um funcionário de 26 anos levantar suspeitas de sobrecarga de trabalho e violações das leis trabalhistas.
De acordo com o órgão, a investigação abrange tanto a sede da empresa quanto a filial localizada em Incheon, onde o jovem — identificado como Jeong Hyo-won — atuava há cerca de 14 meses. As autoridades estão analisando registros de jornada, folhas de pagamento e práticas de gestão, a fim de verificar possíveis infrações à Lei de Padrões Trabalhistas do país.
“Vamos verificar se os funcionários ultrapassavam o limite legal de horas de trabalho e se a administração adotou medidas adequadas de segurança”, informou um representante do ministério.
Segundo relatos da família, Jeong vinha trabalhando cerca de 80 horas por semana, dormindo apenas algumas horas por noite e, em muitos dias, abrindo mão das refeições para dar conta das demandas. O funcionário foi encontrado morto em julho, no dormitório da empresa, um dia após retornar de um turno noturno.
O caso gerou grande comoção pública na Coreia. Em uma declaração comovente, o pai do jovem disse:
“A foto que ele tirou para a entrevista de emprego acabou se tornando a foto de seu funeral.”
Dados divulgados pelo deputado Lee Hack-young, membro do Comitê de Clima, Energia, Meio Ambiente e Trabalho, mostram que 1.059 trabalhadores morreram nos últimos cinco anos em decorrência de doenças cerebrovasculares ou cardiovasculares relacionadas à exaustão laboral. Somente em 2024, foram 214 casos registrados.
Especialistas em relações de trabalho afirmam que, mesmo com os esforços do governo para reduzir as jornadas semanais, longas horas de trabalho ainda são comuns em setores como o varejo e os serviços, especialmente em franquias e empresas de ritmo acelerado.
Sindicatos e grupos trabalhistas reforçaram a necessidade de fiscalizações mais rigorosas em redes de franquias, onde a pressão por produtividade costuma gerar jornadas excessivas e poucos períodos de descanso. Para eles, o caso expõe a fragilidade das proteções trabalhistas no setor e reforça a urgência de medidas preventivas para evitar novas tragédias.
O incidente trouxe de volta o debate sobre o “karoshi” — termo japonês que significa “morte por excesso de trabalho”, mas que também tem sido usado na Coreia para descrever casos semelhantes. Em um país onde o ritmo de trabalho ainda é intenso e as horas extras são vistas como sinal de dedicação, casos como o de Jeong acendem um alerta sobre os limites da produtividade e o preço humano da pressão corporativa.
Enquanto as investigações seguem, o governo promete reforçar a fiscalização e rever as condições de trabalho em redes do setor alimentício, buscando garantir que tragédias como essa não se repitam.
Imagem: Reprodução/@london.bagel.museum via instagram












