A autora sul-coreana Baek Se-hee, reconhecida internacionalmente por sua escrita sensível e honesta sobre saúde mental, partiu aos 35 anos, deixando um legado literário que tocou milhões de leitores. O hospital National Health Insurance Service Ilsan, em Goyang, confirmou que a escritora teve morte cerebral e, conforme desejo da família, seus órgãos foram doados, beneficiando cinco pacientes.
Baek nasceu em 1990 e começou a carreira no mercado editorial antes de se tornar escritora. Diagnosticada com distimia, passou anos em acompanhamento psiquiátrico, período em que começou a registrar em um blog suas conversas com o terapeuta e suas reflexões sobre o cotidiano. Esses textos se tornaram a base de Jukgo sipjiman Tteokbokkineun Meokgo Sipeo (죽고 싶지만 떡볶이는 먹고 싶어 ), lançado em 2018, que rapidamente conquistou leitores por sua mistura de franqueza emocional e leveza cotidiana.

O livro vendeu mais de um milhão de cópias e foi traduzido para mais de 25 idiomas, incluindo o português como “Queria morrer, mas no céu não tem tteokbokki”. Sua narrativa combina vulnerabilidade e humor, tratando de temas como solidão, autoestima e o desejo de viver, mesmo que em alguns dias, isso signifique apenas querer comer tteokbokki.
Em 2022, a tradução em inglês feita por Anton Hur ampliou o alcance da autora, tornando seu nome conhecido em países onde a literatura coreana ainda buscava espaço. Hur descreveu Baek como “uma voz capaz de tocar milhões de vidas ao transformar a dor em arte”.
A escritora também publicou uma sequência, I Want to Die but I Still Want to Eat Tteokbokki, aprofundando as reflexões sobre cura e aceitação. Seus livros se tornaram símbolos de uma geração que fala abertamente sobre saúde mental, inspirando jovens autores coreanos a abordarem o tema sem tabu.
Nas redes sociais, leitores compartilharam trechos de sua obra e relatos sobre como seus livros ofereceram conforto em momentos difíceis. Muitos descreveram a autora como uma “amiga silenciosa”, que ensinou a olhar para a tristeza sem vergonha e com ternura.
Sua irmã, Baek Da-hee, expressou em nota:
“Minha irmã querida desejava escrever, compartilhar seu coração com os outros e inspirar esperança. Conhecendo seu espírito gentil, espero que ela descanse em paz.”
Baek Se-hee deixa pais e duas irmãs. Sua partida encerra uma trajetória breve, mas de impacto profundo marcada por uma escrita que deu voz ao que muitos não conseguiam dizer. Sua obra permanece como um lembrete de que a literatura pode ser um refúgio, uma conversa e, acima de tudo, um convite à compreensão e à escuta do outro.
Imagem: Reprodução/ @_baeksehee (Instagram)













