Uma pesquisa recente aponta um cenário complexo vivido por estrangeiros que residem na Coreia do Sul. Apesar de uma parcela significativa relatar experiências de discriminação no país, os níveis de felicidade e satisfação com a vida entre esse grupo superam os registrados pela população coreana. Os dados foram divulgados pelo The Korea Times, com base em levantamento oficial do governo sul-coreano.
De acordo com o estudo, cerca de 44% dos residentes estrangeiros afirmaram já ter enfrentado algum tipo de discriminação, principalmente relacionada ao país de origem. Outros fatores mencionados incluem dificuldades com o idioma coreano, aparência física e área de atuação profissional. Ainda assim, a maioria dos entrevistados optou por não registrar queixas formais. Entre os principais motivos estão a descrença de que uma denúncia traria mudanças concretas e o receio de gerar conflitos.
Mesmo diante desses obstáculos, os índices de bem-estar chamam atenção. Mais da metade dos estrangeiros entrevistados declarou sentir-se feliz e satisfeita vivendo na Coreia do Sul — porcentagem superior à observada entre cidadãos coreanos, segundo os mesmos critérios de avaliação.
O levantamento faz parte da Pesquisa de Atitudes e Valores Coreanos de 2025, conduzida pelo Ministério da Cultura, Esportes e Turismo, com apoio de institutos de pesquisa nacionais. Esta edição ampliou o escopo do estudo ao incluir adolescentes e um questionário específico voltado a estrangeiros que vivem no país há mais de dois anos, buscando retratar com maior precisão as transformações sociais em curso.
A pesquisa também indica uma maior aceitação do multiculturalismo entre os coreanos. A maioria dos entrevistados reconhece que a diversidade cultural contribui para suprir a escassez de mão de obra e fortalecer a inclusão social, rejeitando a ideia de que isso comprometa a identidade nacional.
Além disso, o estudo revela mudanças nas prioridades da sociedade sul-coreana. Pela primeira vez desde 1996, a visão de um futuro baseado em uma democracia mais madura superou o ideal de crescimento econômico como principal objetivo nacional. Ainda assim, preocupações com desigualdade de renda, polarização política e conflitos sociais seguem em alta.
Segundo o The Korea Times, autoridades afirmam que os resultados servirão como base para a formulação de políticas públicas mais eficazes, com planos de tornar a pesquisa anual a partir de 2026, reforçando decisões guiadas por dados.
Imagem: Reprodução/RDNE Stock Project (Pexels)













